É o fim da OnePlus? O colapso silencioso em curso

É o fim da OnePlus? O colapso silencioso em curso

Uma investigação aprofundada publicada pelo site AndroidHeadlines levanta sérias dúvidas sobre o futuro da fabricante chinesa no mercado de smartphones. De acordo com o relatório, a OnePlus que durante anos foi sinónimo de inovação e “flagships a preço acessível” está a ser gradualmente desmantelada pelo seu grupo-mãe, a OPPO, seguindo um padrão já visto noutras empresas históricas da indústria móvel.

A conclusão baseia-se numa investigação conduzida em três continentes, com testemunhos de atuais e antigos funcionários nas áreas de I&D, negócios e marketing, bem como dados de várias consultoras independentes. O cenário descrito é claro: quedas acentuadas nas vendas, encerramento silencioso de escritórios, redução drástica de equipas fora da China e cancelamento de produtos estratégicos.

Vendas em queda livre e mercados-chave em colapso

Segundo os dados avançados, a OnePlus terá registado uma quebra superior a 20% nas remessas em 2024, passando de cerca de 17 milhões de unidades para algo entre 13 e 14 milhões. No mesmo período, o OPPO Group cresceu 2,8%, crescimento atribuído quase exclusivamente à marca OPPO — não à OnePlus.

A situação é particularmente preocupante na Índia e na China, que juntas representam cerca de 74% das vendas globais da OnePlus. Na Índia, milhares de lojas deixaram de vender equipamentos da marca devido a margens reduzidas e atrasos no apoio pós-venda, levando a uma queda abrupta da quota no segmento premium. Na China, a marca falhou objetivos públicos de crescimento e viu a sua quota encolher de forma significativa.

Escritórios fechados e decisões centralizadas na China

A investigação revela ainda que várias estruturas internacionais da OnePlus foram encerradas sem qualquer anúncio oficial. A sede nos Estados Unidos, em Dallas, fechou portas em março de 2024, restando apenas uma pequena equipa residual. Na Europa, países como França, Alemanha e Reino Unido viram as suas equipas praticamente desaparecer desde 2020.

Na prática, todas as decisões estratégicas passaram a ser tomadas na China, com os escritórios regionais a perderem autonomia. Parcerias com operadoras — cruciais em mercados como o norte-americano — foram abandonadas, e futuros lançamentos deverão acontecer apenas em formato desbloqueado.

O investimento de emergência que não resultou

Em 2022, a OPPO anunciou um investimento de cerca de 14 mil milhões de dólares para tentar salvar a OnePlus, permitindo-lhe usar lojas, centros de assistência e até vender equipamentos sem margem de lucro. Segundo o AndroidHeadlines, este movimento foi mais uma tentativa de resgate do que uma estratégia de crescimento — e falhou.

Com apenas cerca de 1,1% da quota global de smartphones e uma tendência de queda contínua, manter a OnePlus como marca separada tornou-se financeiramente difícil de justificar. O resultado, segundo a investigação, é um processo de absorção silencioso.

O que isto significa para os utilizadores?

Para já, nada muda de forma imediata. A OnePlus continuará a cumprir garantias e políticas de atualizações de software, com o apoio da OPPO. No entanto, o futuro da marca enquanto entidade independente permanece altamente incerto.

Sem anúncios oficiais ou comunicados claros, o silêncio torna-se ensurdecedor. Para muitos entusiastas, o possível desaparecimento da OnePlus representa mais do que o fim de uma marca — é a perda de um símbolo de irreverência e competição num mercado cada vez mais dominado por gigantes.

A OnePlus pode não estar oficialmente “morta”, mas, como conclui a investigação, todos os sinais apontam para um fim prestes a ser anunciado...