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Auriculares Bluetooth: estava mesmo errado com este gadget
Rui Bacelar

Auriculares Bluetooth: estava mesmo errado com este gadget

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Cabe no bolso, em qualquer mala e seguramente no nosso quotidiano agitado. São auriculares Bluetooth, auriculares sem fios, ou True Wireless Headphones se me permitem o anglicismo. Vêm em todos os formatos, cores e orçamentos adequados tanto para o mais comum como para o mais exigente dos consumidores em 2024.

Sirva este artigo - não só como mera reflexão - mas também como guia de compra num segmento cada vez mais povoado de ofertas.

Sejam auriculares Bluetooth para desporto, fazer chamadas, ouvir música ou de tudo um pouco, há padrões e prioridades que explicarei em seguida e que, expectavelmente, vos ajudarão a fazer uma boa escolha.

white and gray wireless headphones
Photo by Akhil Yerabati / Unsplash

Há vários pontos a ter em conta antes de comprar

  1. Primeiramente temos três segmentos de auriculares Bluetooth no mercado: gama baixa - geralmente até 50€; gama média - de 50 a 150€; gama alta - de 150 € em diante. Este é o critério decisor mais importante.
  2. Em segundo lugar - entrando já nas caraterísticas do produto - temos atributos materiais de qualidade e conforto como o tipo de auricular - dos "normais" aos mais compactos e discretos, até aos especializados para desporto. Este é o segundo ponto de destrinça. Pergunta-te, qual é o tipo de uso principal que vou dar aos auriculares Bluetooth TWS.
  3. Em seguida, atenta na autonomia de bateria dos auriculares Bluetooth. A média estará nas 3 horas, com os melhores e mais caros a chegar às 4 / 5 horas entre cargas. Nota que a conveniência deste gadget varia, em proporção direta, com a autonomia de bateria.
  4. Serás também confrontado com outra métrica de autonomia - a da caixa de carregamento e transporte dos próprios fones Bluetooth. Por norma a caixa carregará, totalmente, entre duas a três vezes os auriculares.
  5. ANC (Active Noise Cancelation) é o ponto que se segue, um atributo que encontrarás, inclusive, em alguns auriculares de gama média, mas sejamos realistas, não esperes milagres. Há, sim, um impacto notório deste mecanismo digital de cancelamento ativo do ruído nos fones Bluetooth de gama alta, mas nos demais pouco mais é que um polvilho de marketing, salvo raras exceções.
  6. Atributos diversos de comodidade e qualidade. Os melhores auriculares Bluetooth terão uma caixa com carregamento sem fios (wireless), terão um encaixe na orelha (pavilhão auditivo) mais confortável e com almofadas / borrachas de silicone para também isolar (aqui passivamente) o ruído externo.
  7. EQ's e conexões automáticas Q.B. Boa parte dos auriculares sem fios já terão, da respetiva marca ou no nosso smartphone, um equalizador próprio ou aplicação que nos permita configurar e personalizar os perfis de som e alternar entre os modos de operação do auricular propriamente dito.
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Photo by 绵 绵 / Unsplash

Genialidade tipicamente arrogante da Apple

Corria, então, o ano de 2016 e a gigante de Cupertino surpreenderia o mundo ao truncar o seu iPhone 7 da porta áudio P2, vulgo jack de 3,5 mm para ligar algo que de momento se possa considerar arcaico, mas que então era tão banal como usar um cordão para os óculos. Mais concretamente, o fio dos auriculares / fones.

Isto dito, e em retrospetiva, o que então me desagradou foi sobretudo a atitude sobranceira da empresa liderada por Tim Cook. Sem alternativa (conveniente), fomos forçados a encarar e adaptar-nos a uma nova realidade. Quis então o destino, ou a caneta de Cook, abrir-nos portas para uma nova era de conveniência.

Rematando o ponto prévio. Somando a natural resistência à mudança, a entropia tão humana que nos pauta e que graças a Camões se personifica no "velho do Restelo", à arrogância estratégica de mercado da sobredita empresa, certo é que não fiquei fã do Conceito. Até que conheci, um após outro, o Produto.

Correndo dezenas de auriculares do género - fruto da atividade jornalística / review - consegui ver claramente o que este tipo de produto tem a oferecer. A palavra de ordem é a conveniência, variando depois o grau de qualidade, autonomia e mais mordomias como o ANC ou cancelamento ativo do ruído.

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Photo by Daniel Romero / Unsplash

A falha (transversal) a 99,9% dos auriculares Bluetooth

Eventualmente a sua bateria falhará. Ficará desgastada, ou "viciada", termo não tecnicamente correto, mas que reflete uma sintomática similar.

Será sempre por aqui que a maioria destes equipamentos começará a falhar e, uma vez que a sua construção não permite intervenções, substituições ou reparações aos componentes, assim que a bateria estiver consideravelmente degradada, também a utilidade e conveniência dos fones Bluetooth decairá gradual e inexoravelmente com o passar do tempo.

Chegará o dia em que deixarão de ser convenientes por falta de autonomia. Esta inevitabilidade pode estar à distância de dois ou três anos (possivelmente mais - ou menos - consoante o tipo de utilização.

black and gray bluetooth headset
Photo by Young Adam / Unsplash

Para desporto, chamadas e ouvir música sem fios

A maioria dos auriculares Bluetooth TWS possui vários microfones na sua estrutura, servindo-se dos mesmos, por exemplo, para captar com maior fidelidade a tua voz durante as chamadas.

De igual modo, nos modelos geralmente mais caros, estes microfones também são usados para o cancelamento ativo do ruído (ANC).

Se procuras uns novos auriculares Bluetooth para desporto encontrarás com frequência a menção a algum tipo de resistência à água e ao pó sob a forma de certificações IP(xx). Nota, porém, que geralmente é um índice menor de resistência, portanto nada de os levar para o banho.

Por fim, são poucos os critérios objetivos - além do preço - que indiciam imediatamente uma boa qualidade de áudio.

Podemos aqui, dependo do grau de audiofilia, optar por produtos de marcas especializadas - desde a Devialet e Sennheiser à Sony ou Bang & Olufsen - há realmente incríveis soluções para os puristas de áudio (tudo dependerá do orçamento).

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Photo by Jackson Simmer / Unsplash

Conveniência é a palavra-chave dos auriculares Bluetooth TWS

O ruidoso mundo que nos rodeia pode, subitamente, tornar-se mais afável e domado às nossas preferências com este simples gadget. Sobretudo para os que realmente isolam o ruído exterior - ANC é um pequeno milagre - e nos permitem abrandar o ritmo, apreciar as nossas músicas favoritas e, em absoluta paz, simplesmente sorver inspiração sob a forma melódica.

Tudo isto num pequeno produto que, regra geral, cabe perfeitamente no bolso de qualquer peça de roupa. Pequenos e discretos o suficiente para os levarmos diariamente e (já) rápidos de carregar por cabo USB-C ou sem ele (wireless), os earbuds Bluetooth são já um produto perfeitamente maturado em 2024 e disponível em qualquer superfície de venda de produtos tecnológicos.

São, em suma, um dos essenciais que posso recomendar a qualquer tipo de utilizador em pleno 2024. E o melhor? Bom, será aquele que dá resposta às tuas necessidades específicas e orçamento.

Ouso, apenas, como rápido guia / batota de compra, apontar a Xiaomi como marca referência no segmento de entrada, a Samsung, OPPO, Huawei e Apple como soluções intermédias e a Sony ou BOSE como marcas de referência (e comum disponibilidade), para o quadrante mais exigente de utilizadores - sem entrar em marcas especializadas.

Sintetizando, é com mea culpa que só agora lhes dou o devido crédito como gadget tecnológico realmente útil no nosso quotidiano. Há um par perfeito para cada consumidor e, numa nota pessoal, tornaram-se quase tão indispensáveis como o meu telemóvel... mas isso é tema para outra semana.

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Opinião Dicas