A OnePlus e a Realme podem mesmo vir a unir as suas divisões operacionais, uma mudança que não surge do nada, mas que representa o culminar de uma espiral descendente que a OnePlus tem vivido nos últimos meses.
Antes mesmo da potencial fusão, referida pelo leaker Digital Chat Station, já havia sinais “preocupantes” sobre o futuro global da OnePlus. A marca anunciou o encerramento das suas operações na Europa este mês, com relatórios de cortes de pessoal e uma comunicação a confirmar que a empresa estava a "avaliar" o seu futuro na região.
Com efeito, as duas marcas, que já faziam parte do ecossistema OPPO/BBK Electronics, vão agora, teoricamente, operar sob uma nova estrutura conjunta denominada "sub-product center". Esta estrutura combinaria as equipas de desenvolvimento de produto para o mercado doméstico e internacional e as equipas de marketing e serviço de apoio ao cliente de ambas as marcas, numa só unidade.

Ora, ao que parece, Li Jie, presidente da OnePlus China, assumirá a liderança deste novo centro de produto conjunto, reportando diretamente a Pete Lau (Liu Zuohu), atual Chief Product Officer (CPO) na OPPO (e co-fundador da OnePlus). Por outro lado, Wang Wei, ex-vice-presidente da Realme, deverá passar a ocupar o cargo de subdiretor-geral, sob a alçada de Li Jie, enquanto Sky Li (Li Bingzhong), CEO da Realme, supervisiona as operações de marketing, serviços e pós-venda de ambas as marcas.
Esta possível fusão surge como uma resposta direta ao contexto atual do mercado: a pressão crescente de marcas como a Xiaomi e a Samsung, aliada ao aumento dos custos dos componentes e à escassez de memória. Ao unir forças, passa a ser possível otimizar investimento em R&D, partilhar cadeias de abastecimento e reforçar recursos de marketing. Convém lembrar que, juntas, as marcas do grupo BBK representavam cerca de 48% do mercado indiano de smartphones no segundo trimestre de 2025.

Levantam-se, contudo, questões sobre a identidade futura de cada marca. O OnePlus Nord CE6 Lite, por exemplo, é já uma cópia direta do Realme P4X, um indício claro de quão profunda é a partilha de ideias entre as duas empresas. Para os fãs da OnePlus, ver a sua marca premium a convergir com a Realme, historicamente focada em gamas de entrada e médias, é preocupante.
Ainda assim, há réstias de esperança em como a OnePlus não desaparecerá e, mais, que continuará a lançar produtos, como é o caso do mais recente, anunciado hoje, OnePlus Pad 4. Seja como for, das três marcas, sem dúvida que será (provavelmente) a mais afetada. Veremos até que ponto se mantém, de todo, à tona.