Se ainda achas que os smartphones dobráveis são dispositivos de nicho os números mais recentes da Omdia mostram que essa ideia tem cada vez menos sentido. A consultora britânica prevê que o mercado global de smartphones dobráveis cresça mais de 20% ao ano até 2028, ano em que deverá atingir os 36 milhões de unidades vendidas, praticamente o dobro dos 18,2 milhões registados em 2025.
Se há uns anos parecia que os modelos flip, aqueles que dobram ao meio como os antigos telemóveis de teclado, iam dominar o segmento, a realidade atual conta uma história bem diferente. Segundo os dados mais recentes da Omdia, os dobráveis em formato livro já são os grandes protagonistas deste mercado, enquanto as vendas dos modelos flip estão em queda.

De acordo com o relatório da consultora britânica, no primeiro semestre de 2026, as remessas de smartphones dobráveis tipo flip caíram 47% em comparação com o mesmo período do ano anterior. É uma descida bastante acentuada e que reflecte uma mudança de preferências por parte dos consumidores. Por outro lado, os modelos em formato livro, aqueles que se abrem como um livro e oferecem um ecrã muito maior, mantiveram-se estáveis e já representam 69% do volume total de dobráveis vendidos.
Tudo indica que parte desta mudança deve-se ao facto de aparecerem novos dispositivos com um novo formato mais largo. A Huawei foi a primeira a lançar um modelo com esse form factor, o Pura X Max em maio, e depois a Samsung com o Galaxy Z Fold 8 em agosto. Estes terminais, mais próximos de um mini tablet quando abertos, parecem estar a conquistar quem procura um ecrã maior para trabalhar, ver conteúdos multimédia ou simplesmente executar várias tarefas ao mesmo tempo.

E se pensavas que era a Samsung a liderar o segmento dos dobráveis, desengana-te. No topo do segmento dos dobráveis está a própria Huawei, que no primeiro semestre de 2026 ficou com 57% do mercado de dobráveis em formato livro, deixando a Samsung, antiga líder desta categoria, em segundo lugar com apenas 18%. Honor, Oppo e Vivo completam o pódio dos principais fabricantes, com fatias bem mais modestas.
Com efeito, a realidade mostra que estamos a assistir à consolidação de um formato que faz sentido para quem quer um smartphone e um tablet num só dispositivo. Os dobráveis tipo flip, apesar de compactos e elegantes, acabam por não oferecer a mesma versatilidade no dia a dia. E os números não deixam margem para dúvidas, o formato livro é o que está a ganhar a preferência dos utilizadores.

Só falta perceber se esta é uma tendência que se irá manter nos próximos anos, ou se sofrerá alterações significativas. Seja como for, por enquanto tudo indica que os dobráveis em formato livro vieram para ficar.