Irá a gama média, nos smartphones, desaparecer?

As notícias não são animadoras para um dos segmentos mais lucrativos das fabricantes de smartphones

Irá a gama média, nos smartphones, desaparecer?

As notícias mais recentes dão conta de momentos difíceis para os smartphones. E, se olharmos com atenção para as informações que nos chegam nesta última quinzena de março, e aludindo já a diversos conflitos e desafios mundiais, o mercado de smartphones deverá ter uma quebra significativa.

Samsung Mobile em modo de emergência

A semana começou com notícias vindas da Coreia do Sul de que a Samsung terá ordenado à sua divisão MX, que inclui a Mobile, para reduzirem os seus custos em 30%. Isto é um pedido expressivo e que, apesar de vendas significativamente superiores da linha S26, deixam antever, na verdade, uma grande quebra nas receitas.

Imagem AndroidCentral

Os números ajudam a explicar este movimento: depois de lucros na ordem dos 12,9 biliões de won (cerca de 8,6 mil milhões de dólares), a divisão poderá cair para perto dos 5 biliões já este ano, ao mesmo tempo que as margens passam de 11% para cerca de 3%, com alguns analistas de mercado a admitirem que até manter 1% em 2026 poderá ser difícil. Grande parte desta pressão vem do aumento dos custos de componentes, com os preços da memória (por conta da Inteligência Artificial) a dispararem cerca de 850% no último ano, colocando em risco a rentabilidade da divisão e levantando, pela primeira vez, o cenário de prejuízo. Isto está alinhado com a redução que irá ser aplicada a algumas gamas da empresa, nomeadamente na linha A, onde a empresa irá, pelas notícias coreanas, substituir a sua própria fornecedora, a Samsung Display, pela CSOT. Ao que nos reporta o SamMobile, isto poderá aplicar-se também à famosa linha FE. Os objetivos aqui poderão ser, não só a redução direta de custos, mas também uma forma da empresa diversificar os seus fornecedores.

Mas a crise já se faz sentir

Apesar dos relatos que nos chegam dos órgãos de comunicação social da Coreia do Sul, na Europa o mercado já se começa a preparar para este cenário.

Fala-se já num verdadeiro “tsunami” (pelo Jornal Económico) de preços nos próximos meses, impulsionado pela escassez de componentes e pelo aumento generalizado dos custos de produção. As previsões apontam para subidas médias na ordem dos 14%, podendo atingir os 20% a 30% na gama média, precisamente o segmento mais sensível ao preço e onde a concorrência é mais agressiva.

Imagem AndroidCentral

Este contexto poderá não só pressionar ainda mais os consumidores, como também acelerar uma mudança estrutural no mercado, com menos opções competitivas na gama intermédia e um foco crescente nos segmentos mais rentáveis. Na verdade, e pelas declarações dadas ao Jornal Económico (via Executive Digest), executivos da Xiaomi, Motorola e Samsung em Portugal reconhecem os desafios para este mercado que tem como alvo preços entre os 300-400€.

Não obstante estas declarações e dados de mercado, empresas como Oppo e OnePlus já fizeram esses aumentos na China e, muito provavelmente, não irá demorar até que o consumidor europeu sinta essa diferença. Com os preços a aproximarem-se cada vez mais dos modelos premium de entrada, a gama média poderá, efetivamente, desaparecer, pela forma como os consumidores irão encarar os seus investimentos.