A Kobo está longe de ser uma marca nova para mim. Tendo começado, precisamente, pelo Kobo Clara HD e passado, uns anos mais tarde, para o Libra 2, foi com entusiasmo que vi a marca abraçar a tecnologia que, em e-readers, habilita cores: a tecnologia Kaleido. Sendo uma tecnologia aplicada por cima do tradicional ecrã e-ink, estava deveras curioso em perceber como a mesma poderia elevar a experiência de leitura. E, deixem-me que vos diga, não estava enganado: fiquei surpreendido.
O prazer de ler

Esta é, talvez, das reviews mais difíceis que fiz. Não só porque a maior parte de nós consegue visualizar e já teve contacto com tecnologias como LCD ou OLED — que vemos diariamente nos nossos smartphones — como também porque estamos habituados a associar leitura digital a esses ecrãs. Todavia, quando falamos de e-readers, a conversa é diferente.
Muitos leitores não sabem sequer que existem diferenças tecnológicas tão grandes entre um ecrã de smartphone e um ecrã e-ink. Isto dificulta a explicação, mas, resumidamente, um e-reader não só aproxima o leitor do texto, como lhe oferece mais conforto no momento da leitura. Isto torna-se essencial para evitar fadiga visual e também para personalizar a experiência de leitura. Num e-reader é possível aumentar ou diminuir o tamanho da letra, ajustar o peso da tipografia, escolher fontes diferentes e até modificar o espaçamento do texto.
Aqui, o e-reader apresenta uma grande vantagem face aos ecrãs tradicionais de computadores ou telemóveis: a iluminação não é projetada diretamente para os olhos do leitor, mas sim distribuída pelo próprio ecrã através de LEDs frontais, iluminando a superfície de leitura. A tecnologia e-ink, por sua vez, reflete a luz ambiente de forma semelhante ao papel. O resultado é uma experiência muito mais próxima da leitura num livro físico. É algo que só se compreende verdadeiramente quando experimentado. E é precisamente neste contexto que a cor surge como um elemento natural e que, de certa forma, achei inesperado.
A aproximação ao leitor

A cor é, sem dúvida, um elemento fundamental na nossa vida. Não só enriquece a forma como percecionamos o mundo, como acrescenta valor e emoção àquilo que consumimos. Nos livros, quer sejam de ficção, técnicos ou com grande foco em imagens e gráficos, o uso da cor consegue expandir o significado daquilo que estamos a interpretar.

Durante muitos anos, isto foi algo que faltava nos e-readers. Até à chegada de soluções como o Kobo Clara Colour. Neste modelo, a Kobo utiliza um ecrã E Ink Kaleido 3, uma tecnologia que combina a tradicional tinta eletrónica a preto e branco com um filtro de cor colocado sobre o painel. Isto permite que o dispositivo apresente conteúdo monocromático com 300 ppi, mantendo a nitidez típica dos e-readers, enquanto os conteúdos a cores surgem com 150 ppi, o que é suficiente para capas de livros, gráficos, ilustrações e banda desenhada.
Foi precisamente aqui que comecei a perceber o quão interessante é vermos a nossa biblioteca digital ganhar vida com cor. Não é apenas um detalhe estético. As capas tornam-se mais reconhecíveis, ajudam a identificar rapidamente um livro e permitem apreciar melhor o trabalho artístico de quem as criou. A experiência torna-se mais rica e, durante o tempo que passei a ler neste equipamento, senti que me conectava ainda mais com a minha biblioteca digital.
Uma experiência de leitura aprimorada pelo design

Mas a cor, por si só, não chega. É aqui que entra a experiência da marca canadiana.
Tendo já utilizado dois equipamentos da Kobo, e em diferentes faixas de preço, o Kobo Clara Colour entrega esta experiência de leitura refinada num corpo compacto, bem construído e confortável. O equipamento utiliza plástico reciclado na sua construção, algo que a Kobo tem vindo a integrar nos seus dispositivos mais recentes. A traseira possui uma textura subtil que melhora a aderência e ajuda a que o equipamento se adapte naturalmente à mão do utilizador.
Com cantos arredondados e um peso reduzido de 174 gramas, ler no Kobo Clara Colour é extremamente confortável, mesmo durante longas sessões de leitura. Sendo este um equipamento com uma bateria que dura várias semanas com uma única carga, e que pode ser carregado rapidamente através de USB-C, o Clara Colour é também resistente à água com certificação IPX8, o que significa que pode sobreviver a imersões acidentais e ser utilizado sem preocupações junto à piscina ou na banheira (algo que, confesso, adoro fazer).
No armazenamento, temos 16 GB de memória interna, o que, segundo a própria Kobo, pode representar até 12 000 livros, dependendo do formato. Falando em formatos, o dispositivo suporta uma enorme variedade:
EPUB, EPUB3, FlePub, PDF, MOBI, JPEG, GIF, PNG, BMP, TIFF, TXT, HTML, RTF, CBZ e CBR.


Tudo isto é acompanhado pela tecnologia ComfortLight PRO, que permite ajustar não só a intensidade da luz como também a sua temperatura. Isto significa que, à noite, o ecrã pode reduzir a luz azul e assumir tons mais quentes, criando uma experiência mais confortável para os olhos. Quer seja durante a noite ou sob luz direta do sol, a experiência de leitura mantém-se consistente.
Para quem quiser expandir ainda mais a experiência, a Kobo introduziu nesta geração suporte para Bluetooth, permitindo a reprodução de audiolivros através de auscultadores sem fios, especialmente quando associados ao serviço Kobo Plus, disponível em várias modalidades de subscrição.

Vale a pena ter um Kobo?


Por mais que ler num smartphone ou tablet possa ser conveniente, esses equipamentos são também propícios a distrações constantes. Notificações, mensagens, redes sociais ou simplesmente a tentação de alternar entre aplicações acabam por quebrar o ritmo de leitura. Um Kobo está longe de oferecer esse tipo de interrupções. É um dispositivo dedicado a uma única tarefa: ler.
Quando juntamos a isto um produto desenhado especificamente para a leitura, com ecrã e-ink, iluminação ajustável, semanas de autonomia e agora com suporte para cor, percebemos rapidamente o valor deste tipo de equipamento. A experiência fica ainda mais completa quando consideramos funcionalidades como:
- sublinhar e guardar citações;
- consultar palavras num dicionário integrado;
- sincronizar livros entre dispositivos;
- ler artigos guardados no Instapaper;
- organizar a biblioteca em coleções.
Tudo isto é acompanhado por um software já bastante maturado, que permite aceder facilmente à loja da Kobo quando ligados à internet e gerir a biblioteca de forma simples. As cores neste modelo conseguem surpreender pelo seu estilo mais suave e pastel. Ainda assim, são mais do que suficientes para momentos chave em livros ilustrados, gráficos técnicos ou numa boa banda desenhada. A diferença é ainda mais notória quando visualizamos à luz solar direta, onde a cor se torna mais intensa e brilhante.

Se ter um Kobo vale a pena? Bem, se gostas de ler e aprecias o quão mais barato um e-book pode ser, o Kobo Clara Colour é um excelente produto na Kobo. Com o seu ecrã compacto de seis polegadas, este aproxima ainda mais a experiência digital da riqueza visual dos livros físicos, sem comprometer aquilo que torna um e-reader tão especial — o conforto de leitura. O preço? Esse fica pelos 169,99€ e a marca oferece ainda capas magnéticas, em estilo livro e transparentes para o mesmo, o que complementa a sua durabilidade, quer no material usado, quer no software que é constantemente alvo de melhorias por atualizações.