Posso levar o smartwatch ao mar? Pensa bem e evita consequências...
A resistência à água é, provavelmente, uma das funcionalidades mais mal compreendidas nos smartwatches. É comum acreditarmos que o relógio aguenta qualquer cenário, quando isso está longe da realidade. E falo por experiência própria: bastou o primeiro smartwatch que levei para a água do mar avariar para nunca mais voltar a repetir o erro.
Com efeito, essa confiança excessiva acaba por ser, muitas vezes, a razão de avarias frequentes, sobretudo durante o verão. Perceber exatamente o que cada certificação garante pode ser decisivo para evitar problemas e a diferença entre usar o smartwatch na praia sem preocupações ou descobrir, mais tarde, que já não funciona corretamente.

O que significam as certificações IP e ATM?
No que toca às classificações, a maioria dos modelos apresenta certificações IP ou ATM. Apesar de parecerem técnicas, são relativamente simples de interpretar. A classificação IP (como IP67 ou IP68) refere-se à proteção contra poeiras e à resistência à água doce em condições controladas. Um dispositivo com IP68, por exemplo, pode ser submerso até cerca de dois metros durante 30 minutos. No entanto, há um detalhe importante: estes testes são realizados em água parada, a temperatura ambiente e sem pressão adicional. Isto é, condições muito diferentes das encontradas no mar.
Já a classificação ATM indica a pressão que o equipamento suporta. Um smartwatch com 5 ATM equivale, teoricamente, a uma profundidade de 50 metros em ambiente estático, sendo adequado para nadar em piscina. Para atividades mais exigentes no mar, como surf ou mergulho, o ideal é optar por dispositivos com, pelo menos, 10 ATM.

Porque é que o mar é o pior inimigo do teu smartwatch?
Mesmo assim, há outro fator a considerar. O impacto do sal, principalmente, bem como do cloro. Estes elementos, apesar de não causarem danos imediatos, contribuem para a degradação gradual dos componentes internos. O sal, em particular, é bastante agressivo, conseguindo infiltrar-se em pequenas aberturas e corroer vedantes e juntas ao longo do tempo.
O problema é que os efeitos não surgem logo. O smartwatch vai perdendo resistência de forma progressiva até que, eventualmente, a água entra onde não devia. Quando isso acontece, muitas vezes já passou tempo suficiente para que a garantia não cubra o dano, por ser considerado desgaste decorrente de uso inadequado.
Há, no entanto, uma medida simples que pode ajudar bastante: depois de contacto com água do mar ou da piscina, deve-se passar o relógio por água doce e secá-lo bem. Este pequeno gesto, que demora apenas alguns segundos, pode aumentar significativamente a durabilidade do equipamento. Mas, não te enganes. Se tiveres dúvidas e puderes evitá-lo, não leves o teu smartwatch para a água, e muito menos para o mar para evitares surpresas desagradáveis.
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