Uma equipa de investigadores da Universidade de Nagoya, no Japão, desenvolveu uma nova solução que poderá representar um avanço significativo para as câmaras dos smartphones.
A proposta passa pela utilização de nanosheets de óxido de zinco dopado com gálio, capazes de captar mais informação de cor em cada píxel e, ao mesmo tempo, reduzir o espaço ocupado pelos sensores.
Se a tecnologia chegar à produção em larga escala, poderá permitir smartphones com módulos fotográficos menos salientes e imagens de melhor qualidade.
Um novo tipo de sensor poderá dispensar o filtro Bayer
Atualmente, praticamente todos os sensores fotográficos utilizam um filtro Bayer para captar informação de cor. Este sistema distribui filtros vermelhos, verdes e azuis sobre diferentes píxeis, obrigando o sensor a combinar os dados recolhidos pelos píxeis vizinhos para gerar a imagem final.
A solução desenvolvida pelos investigadores funciona de forma diferente. Em vez de depender desse filtro, utiliza várias camadas ultrafinas de óxido de zinco dopado com gálio, permitindo que um único píxel consiga detetar diretamente as três cores principais: vermelho, verde e azul.

Na prática, esta abordagem poderá melhorar a precisão na reprodução das cores e reduzir o processamento necessário para gerar a imagem final.
Menor módulo fotográfico e imagens mais precisas
Além da melhoria potencial na qualidade das fotografias, a nova tecnologia poderá contribuir para diminuir o tamanho dos sensores e, consequentemente, dos módulos das câmaras.
O espaço libertado no interior do smartphone poderá ser aproveitado para integrar baterias maiores, sistemas de estabilização mais avançados ou até sensores de imagem de maiores dimensões.

Segundo os investigadores, os protótipos alcançaram uma sensibilidade de cerca de 800 amperes por watt, muito acima dos aproximadamente 10 amperes por watt registados pelos sensores convencionais. Além disso, as imagens produzidas apresentaram cerca de metade do erro de cor quando comparadas com a tecnologia atualmente utilizada.
Ainda há desafios antes de chegar aos smartphones
Apesar dos resultados promissores, ainda não é claro se esta tecnologia conseguirá ser aplicada em sensores de grande dimensão, como os utilizados nas câmaras principais de 200 MP ou nos sensores de uma polegada presentes em alguns topos de gama.

Por agora, trata-se de um projeto de investigação, sem qualquer previsão para uma eventual utilização comercial. Ainda assim, a tecnologia abre caminho para uma nova geração de sensores fotográficos, capaz de combinar melhor qualidade de imagem com smartphones mais finos e módulos de câmara menos salientes.