(Review) Samsung Galaxy Z Fold8: o dobrável que finalmente me convenceu a mudar

O Samsung Galaxy Z Fold8 causou impacto quanto foi revelado, mas nas nossas mãos consegue revolucionar completamente a nossa experiência mobile.

(Review) Samsung Galaxy Z Fold8: o dobrável que finalmente me convenceu a mudar

Em 2026 o mercado mobile tem sido agitado pela chegada de smartphones dobráveis em novo formato passaporte, que estão a derrubar as ideias sobre os smartphones como os conhecemos. O "slab" está a ser abandonado pelos dobráveis mais "quadradinhos" e compactos e a tendência começou com a apresentação do Samsung Galaxy Z Fold8.

O novo dobrável da Samsung não apresenta uma ideia propriamente nova. Outrora, outras fabricantes trouxeram-nos modelos em formato passaporte, cujos designs foram entretanto abandonados em favor de um estilo mais próximo daquele que a própria Samsung apregoa ainda hoje como o ideal e que hoje em dia vemos no Galaxy Z Fold8 Ultra.

O abandono deste formato tinha os seus motivos. Os dobráveis, nos primórdios da sua existência, eram dispositivos bastante espaçosos, longe da espessura reduzida dos dias de hoje. Manter um formato mais largo complicava ainda mais o aspeto grotesco e o pesadelo de portabilidade. Em 2026 a tecnologia parece ter atingido um ponto ideal para o regresso do smartphone em estilo passaporte, e prova disso é a chegada de propostas de Samsung e Apple que vêm encabeçar aquela que promete ser uma tendência para durar vários anos.

Pois bem, olhando à proposta da Samsung, que desde julho tem sido um verdadeiro sucesso de vendas, vamos aqui falar sobre a experiência com este dispositivo verdadeiramente entusiasmante e como tornou revolucionou completamente a minha visão sobre o smartphone em 2026.

Chamativo, mesmo com design discreto

Uma das coisas que mais me surpreendeu no novo Galaxy ZFold8 foi o seu design. A Samsung conseguiu um produto muito bem trabalhado, com um design minimalista e que herda as linhas da fabricante sul-coreana em 2026, mas com um benefício muito importante face aos demais modelos da Samsung.

O formato passaporte acaba por acentar que nem uma luva nesta linguagem de design da Samsung, já que, quando fechado, o Galaxy Z Fold8 fica muito compacto, fino e "quadradinho".

Esta é aliás uma das razões pelas quais este é o smartphone que mais curiosidade despertou nas pessoas com quem convivo no dia-a-dia, sendo questionado sobre o modelo quase todos os dias e sendo motivo de conversa em qualquer contexto.

A cor da nossa unidade vem na cor lilás, cor que de resto foi a mais utilizada para a campanha de marketing deste smartphone e que de facto é a cor mais interessante do line-up. Tivemos a oportunidade de ter em mãos uma unidade em preto mate, que dá um ar ultra profissional ao dispositivo, perdendo o ar mais descontraído da nossa unidade.

Nas mãos, o Galaxy Z Fold8 deixa-nos a impressão que estamos de facto a utilizar um equipamento especial. Dobrado, é extremamente compacto, sendo fácil de utilizar com uma mão, ainda que mais largo do que outros equipamentos "convencionais". Ainda assim, o formato permite que o ecrã exterior possa ser utilizado em todas as suas ações, sendo a utilização do ecrã interior meramente opcional (ainda que seja a sua principal vantagem, como já falaremos adiante).

No bolso este é um dispositivo que se esconde como poucos devido às suas dimensões. Ainda que aconselhemos a utilização de uma capa protetora (especialmente com proteção para a dobradiça), o tamanho compacto aliado e materiais premium fazem que este dispositivo transmita uma sensação premium adequada à gama.

A sua solidez é de facto notável, considerando o quão fino é. Aberto ou fechado, o Galaxy Z Fold8 nunca nos deixou preocupados quanto a danos com eventuais toques ou pancadas acidentais.

O mesmo não se poderá elogiar, no entanto, quanto aos eventuais encontros com areia. Apesar de ainda não termos registado qualquer dano ao equipamento, a verdade é que a certificação IP48 nos deixa bastante reticentes quanto a levar o Z Fold8 para uma praia ou outros contextos onde eventualmente possa entrar em contacto com particulares de tamanho inferior a 1 milimetro, não estando certificado pela Samsung com esta capacidade de resistência.

Saber que um grão de areia pode ser bastante problemático para o Galaxy Z Fold8 é um ponto a considerar, já que a dobradiça pode servir de porta de entrada para o próprio ecrã interior, não sendo poucos os casos em que vimos pela internet relatos de danos irreversíveis aos componentes do equipamento devido a contacto com areia.

Isto considerado, aconselhamos vivamente à utilização de uma capa com proteção da dobradiça, que oferecerá uma proteção extra à mesma contra quedas e contra lixos intrusos.

Falamos há pouco do ecrã interior e há que referir que este é talvez o componente mais frágil do dispositivo. Esta tela dobrável é feita de fibra de vidro e plástico, sendo sensível a marcas até de unhas, sendo completamente desaconselhável retirar a película de plástico pré-instalada.

Com as fragilidades explicadas, devemos agora continuar com aquilo que mais nos fascina o Galaxy Z Fold8: a sua utilização.

Estou convencido: O smartphone dobrável é a nova norma

Quando comecei a testar o Galaxy Z Fold8, não tinha a certeza se utilizar diariamente um dobrável iria ser uma experiência convincente. Apesar da reação de muitos quanto a um certo produto com o logótipo da maçã poder fazer parecer que esta é uma novidade, os smartphones dobráveis já estão no mercado há 8 anos, com a Samsung a encabeçar a oferta no mercado.

Ainda que tal seja verdade, apenas nos últimos dois anos tenho pessoalmente despertado um verdadeiro interesse por este tipo de equipamentos, graças às grandes melhorias ao nível da construção, resistência da dobradiça e ao cada vez mais óbvio desaparecimento da dobradiça. Estes produtos inspiram cada vez mais confiança aos utilizadores em geral e revejo-me nesse sentimento, surgindo assim maior curiosidade por estes equipamentos.

A chegada do formato passaporte veio intrigar-me ainda mais, não tendo sido, por isso, difícil aceitar este desafio de viver diariamente com um dobrável da Samsung. E não podia estar mais satisfeito com essa escolha.

O Samsung Galaxy Z Fold8 é um equipamento que está ao nível dos melhores do mercado pelo que oferece ao nível do desempenho e qualidade, mas consegue potenciar a experiência de utilização com dois ecrãs de alta qualidade, sendo o mais pequeno ecrã exterior um ecrã utilitário, com tecnologia LTPO AMOLED 2X (taxa de atualização 120Hz), capaz de executar todas as tarefas que lhe são exigidas, e permitindo deixar para o grande ecrã interior dobrável de 7.6 polegadas, com a mesma tecnologia, a execução perfeita de tarefas mais divertidas, para consumo de multimédia, trabalho, leitura e utilização de até três aplicações em janela dividida.

Este é, aliás, o principal motivo para aderir a um smartphone como este. Passamos de um smartphone verdadeiramente compacto quando fechado, que cabe confortavelmente no nosso bolso e podemos utilizar em qualquer lugar, para abrir um verdadeiro tablet com todas as vantagens que isso acarreta.

O Snapdragon 8 Elite Gen 5 no interior deste dobrável garante que potência nunca está em falta, ainda que o corpo do dispositivo possa em algumas circunstâncias aquecer um pouco. A cobertura de rede é bastante satisfatória, com bom sinal em qualquer lado e velocidades ao nível da concorrência. A nossa unidade possui 12GB de RAM e 512 GB de armazenamento, mas pode este modelo ser configurado com até 16GB de RAM e 1TB de armazenamento.

E sim, com uma bateria de 4.800 mAh com tecnologia de silício-carbono, este modelo da Samsung tem uma autonomia muito respeitável para o corpo fino que apresenta, garantindo um dia completo de utilização com alguma folga, mesmo em utilização mais intensiva.

Câmaras de serviço, com espaço para melhorias

O capítulo das câmaras não será o mais interessante desta review, caros leitores. A Samsung optou por incluir no Galaxy Z Fold8 apenas dois sensores de 50MP, sendo que o segundo é uma câmara grande-angular, estando por isso ausente o sensor telefoto.

Aliás, este é um ponto em que muitos poderão "torcer o nariz" quanto a este dobrável. Apesar de vermos na versão Ultra a inclusão de uma câmara principal de 200MP e de um sensor telefoto, a verdade é que no pequeno Z Fold8 estas regalias não chegaram. Isto torna a experiência fotográfica um pouco mais limitada, com o zoom a ser desaconselhável a partir da ampliação 4x.

Apesar da falta de alguns recursos que poderiam tornar o hardware mais interessante, a verdade é que o processamento de imagem do Snapdragon 8 Elite Gen 5, conjugado com os sensores respeitáveis permitem ainda alguns resultados interessantes e que não deixarão o utilizador ficar mal na maioria dos casos, ainda que não seja, de todo, um smartphone para entusiastas da fotografia.

Desejos para o futuro

Os elogios ao Galaxy Z Fold8 foram muitos até aqui, mas alguns pontos podem ainda ser melhorados para futuros modelos e que, considerando o atual preço e chegada ao mercado de concorrência de peso (iPhone Duo), são perfeitamente justificáveis.

Como acabamos de mencionar, uma terceira câmara telefoto poderia fazer a diferença neste dispositivo. Ainda que possam haver argumentos para uma câmara topo de gama de 200MP como a da versão Ultra, a câmara telefoto acabaria por ser a que tornaria a experiência fotográfica mais completa.

Por outro lado, no capítulo da resistência, existem cada vez mais opções no mercado que estão preparadas e certificadas com resistência a pó e areia, com IP68, um dos pecados desta geração Galaxy Z Fold.

Por fim, no ecrã principal dobrável, ainda que as melhorias sejam consideráveis quanto à dobra, a verdade é que esta continua presente. Enquanto não desaparecer por completo, este será sempre um objetivo que espero que seja alcançado em breve (ainda que não seja certo que um dia possa vir a desaparecer).

Conclusões

O Galaxy Z Fold8 foi durante o último mês o dispositivo no meu bolso, acompanhando-me para todo lado e sendo o meu smartphone para uso pessoal. Com ele adaptei-me a uma nova realidade, muito mais funcional, que impressiona tanto a mim como a quem vê o dispositivo.

A qualidade e eficácia com que apresenta a experiência dobrável é um destaque positivo e que o torna, até ao momento, o dobrável do ano (veremos se outras propostas conseguirão de facto ombrear). Mas continuaria a ser o meu smartphone, mesmo após esta análise?

A resposta é sim! Os pequenos sacrifícios que foram mencionados ao longo deste artigo podem parecer relevantes individualmente, mas a experiência como um todo deste dispositivo torna-o simplesmente irresistível e vem, para mim, destronar a ideia de que um smartphone em formato slab continua a ser a melhor opção.

Não estranhei a saltar do meu Google Pixel 10 Pro para o Galaxy Z Fold8, mas a verdade é que o mesmo não pode ser dito quando agora seguro qualquer outro smartphone, em que o ecrã parece ter proporções que desafiam a lógica. O preço proibitivo poderá demover a aderência inicial do público a estes equipamentos, mas a utilização diária convence-me que estamos perante a nova norma entre os smartphones.