Foi durante a madrugada de hoje que a Samsung, na CES 2026, fez antever, não só o seu futuro interconectado com IA e os seus diversos produtos, como pretende, com dados recolhidos, informar o utilizador de eventuais declínios cognitivos e demência.
Brain Health e as promessas do futuro
Foi pela voz de Praveen Raja, Vice-Presidente e responsável pela área de Digital Health na Samsung Research America, que a sul-coreana traçou a visão a longo prazo para um novo paradigma de cuidados de saúde. Um paradigma que deixa de reagir apenas quando algo corre mal e passa a atuar antes de o problema surgir, onde os utilizadores poderão até vislumbrar, em tempo real, os dados das pessoas que cuidam, como os pais.

A base desta mudança está num ecossistema de dispositivos totalmente interligados da marca, como os smartphones, wearables, eletrodomésticos e outros equipamentos inteligentes e que, claro, são potenciados por inteligência artificial. Em conjunto, estes dispositivos passam a recolher sinais do dia a dia do utilizador, analisando padrões de comportamento, sono, atividade física e hábitos, com o objetivo de identificar riscos potenciais ainda numa fase precoce.

Na prática, esta abordagem traduz-se em acompanhamento personalizado: recomendações de exercício físico ajustadas ao perfil de cada pessoa, sugestões para melhorar a qualidade do sono e até propostas de receitas adequadas aos objetivos de saúde, tendo em conta os ingredientes disponíveis num frigorífico inteligente. Tudo pensado para reduzir, de forma preventiva, o risco de doenças crónicas.
Sempre que são detetados sinais fora do padrão, o sistema poderá alertar o utilizador e, se este assim o permitir, partilhar métricas de saúde com profissionais através da plataforma da Samsung, Xealth, facilitando consultas remotas e um acompanhamento clínico mais próximo e contínuo. Isto, contudo, só está disponível nos EUA, sendo que as funcionalidades ficarão ainda disponíveis, em período beta, nos próximos meses.

A Samsung está também a apostar fortemente na investigação preventiva em áreas mais sensíveis, como a deteção precoce de demência. Através de parcerias científicas, os wearables passam a analisar alterações subtis na mobilidade, na fala ou no nível de interação do utilizador, sinais que, ao longo do tempo, podem indicar mudanças cognitivas relevantes. É nesta esfera que entra a capacidade de detetar padrões de escrita, fala, memorização, movimento, entre outros, para avisar o utilizador do seu eventual estado de saúde mental. Neste ponto, destaca-se, o cuidado da empresa em referir que a tecnologia não é um diagnóstico mas antes uma forma de auxiliar na vida corrente.
Todo este ecossistema assenta numa camada de segurança robusta, suportada por Samsung Knox e Knox Matrix. À medida que a inteligência artificial evolui, estas soluções de segurança acompanham o ritmo, antecipando novos riscos, protegendo dados usados em processos de treino de IA e validando modelos através de análises avançadas, incluindo equipas de red teaming.