Iniciar um novo ano é sempre entusiasmante. Com diversas possibilidades, a tecnologia acaba por ser uma das esferas onde o futuro nos dá dos seus vislumbres. Mas um novo ano significa, também, refletir o anterior e, ao varrer o que escrevemos, o que falámos no nosso podcast, o Droidcast e até um dos últimos artigos escritos no Android Authority sobre tendências que deveriam desaparecer, decidi também eu pensar sobre as mesmas e de como, na verdade, espero que 2026 as termine de vez.
1 - Smartphones finos
Por mais elegante que seja, por exemplo, o Galaxy S25 Edge, testado por nós, ou até o design atrativo do iPhone Air, o mercado não quer estes smartphones. E não sou propriamente eu que o digo, mas as milhares de reviews e as vendas desapontantes para estes modelos. Isto não acontece, simplesmente, por os equipamentos serem mais finos e leves, o que é algo até benéfico em ergonomia, mas antes pelos compromissos feitos na bateria, câmara e capacidade de arrefecimento do processador.
Espero, com estes dados, que as fabricantes percebam o que os consumidores realmente querem e apostem, por exemplo, em modelos mais pequenos e com funcionalidades de topo do que um nicho que tem tendência a morrer.
2 - Velocidade de processamento ao invés de performance sustentada

Desde que a Qualcomm apresentou, no ano passado, a linha Elite, que se sabia que as diferenças entre Android e iOS iam desaparecer. Dois anos passados e, apesar desse abismo ter, realmente, quase que solidificado ao ponto de desaparecer, existem dados preocupantes e refletidos por mim e pelo Samuel Pinto no Droidcast: a performance sustentada e de como, apesar destes avanços do Snapdragon Elite Gen 5, o mesmo continuou sem os resolver. Com parte dos problemas que surgiram a terem sido corrigidos por fabricantes que já o estrearam, como a OnePlus, existe algo que se torna evidente: a Qualcomm continua a ir atrás de velocidades máximas ao invés de trabalhar e garantir que o processador aguenta uma performance sustentada e que o smartphone não tenha que começar a fazer sacrifícios para a entregar.
Talvez o utilizador comum não o sinta, mas em atividades de vídeo ou jogo, qualquer utilizador o sentirá, quer pelo aquecimento, quer por eventuais taxas de fotograma. Atendendo a que diversas marcas ainda irão apresentar os seus equipamentos com este processador, 2026 poderá ser um ano de viragem nesta questão e de, novamente, termos smartphones capazes e que não se preocupam, simplesmente, em ser os melhores nas tabelas de classificação de performance.
3 - Lentes que não existem

Desde que foram introduzidos sensores duplos em smartphones que a tendência foi sempre o aumento (menos nos iPhones). Todavia, certas marcas em determinadas gamas, como Xiaomi, OPPO ou a Motorola foram mais longe, não propriamente em dar mais lentes, mas em enganar o consumidor com decisões cosméticas ao introduzirem lentes que, simplesmente, não existem.
Atendendo a que muitos consumidores não se apercebem destes detalhes, seria bom voltarmos às bases e se um flash é um flash, não o cobrir como se fosse uma lente.
4 - IA e a ausência de atualizações de hardware

A Samsung é, talvez, rainha no que toca a apresentar produtos que, por mais software novo que tragam, mascaram a ausência de atualizações de hardware. Quer seja boa ou má, a Galaxy AI foi, em 2025, uma forma da empresa não falar de como continua com a mesma bateria, a maioria dos mesmos sensores fotográficos e até o mesmo ecrã. Por mais aprimoramentos feitos a cada um destes elementos, ou até do novo sensor ultra-grande angular e de uma segunda geração de ecrã sem reflexo, existiu falta de elementos que justificassem o seu preço de mais de 1400€.
Este ano, talvez, teremos mudanças mais significativas, mas o consumidor merece mais e, como bem sabemos, marcas como a HONOR, Xiaomi ou OPPO têm conseguido trazer inovação mais palpável e a preços diferenciadores.
5 - Falta de atualizações para modelos mais baratos

Com os smartphones a ficarem mais caros, muito por conta de aumentos que se esperam, em 2026, para a memória RAM, os consumidores, sejam eles de que faixa de preço forem, merecem mais cuidado e atenção.
Infelizmente, empresas como a Motorola, realme, HONOR ou Xiaomi acabam por ter políticas desapontantes nos smartphones mais baratos, oferecendo, na maioria, somente dois anos de atualizações. Sabemos que é possível mais, afinal de contas, o Galaxy A16, de 189,90€, oferece 6 anos de atualizações de sistema operativo, pelo que seria bom 2026 trazer equilíbrio. Admito que, talvez, seis anos possa ser demais para um hardware nesta gama de preço, mas será importante para as empresas focarem na longevidade de todos os equipamentos e não somente dos que ultrapassam a barreira dos 700€.